quarta-feira, 20 de maio de 2009

Palestra –“ Conservação e Preservação do Património”

Dr.ª Carla – Arquivo Histórico Municipal

Dr.ª Sónia – Reitoria da Universidade do Porto


No dia 6 de Março de 2009, no âmbito do Núcleo Gerador 5 (Dr4), da área de CP, tivemos oportunidade de participar numa palestra sobre a conservação e preservação do património.

Nesta palestra, tomamos conhecimento quanto ao conceito e objectivos da conservação de documentos. Foram-nos dados alguns exemplos de cuidados a ter com o manuseamento dos documentos, a fim de se evitar a sua deterioração.

Ficamos a perceber que, a digitalização dos documentos facilita a sua consulta e evita que os mesmos, em suporte de papel, sejam deteriorados. No entanto, sua prova existencial passa sempre pelo documento em si.

Foi-nos dado a conhecer que o Arquivo Histórico do Porto existe desde 1980, o qual veio suceder o Gabinete de História da Cidade. Ele tem como objectivo conservar a documentação, de carácter histórico, produzida pela autarquia portuense. Podemos encontrar aqui, também, arquivos de origem privada e colecções.

Neste Arquivo podemos contar com vários serviços, tais como:

  • Leitura e Informação
  • Reprografia
  • Conservação e Restauro
  • Extensão cultural e educativa

Esta palestra, foi interessante, com ela ficamos a perceber a importância do conservar e preservar, já que, é a única maneira de mantermos vivo as memórias do passado.

Tertulia - "A Eutanásia"

A turma EFA N1 foi desafiada a organizar uma tertúlia, alusiva ao tema “Eutanásia”.

Para a preparação desta tertúlia, decidimos visionar o filme “Mar Adentro”, cuja história retrata a vida do marinheiro Ramon Sampedro, que depois de um acidente no mar fica tetraplégico e luta durante 28 anos pelo direito à eutanásia.

Depois dos trabalhos de bastidores, ou seja, pesquisas sobre o tema, elaboração de perguntas para os convidados e toda a preparação técnica, chegou finalmente o dia da nossa tertúlia.

Começamos por fazer as apresentações, e de seguida projectamos um pequeno excerto do filme “Mar Adentro”. Projectamos também algumas frases pronunciadas por Ramon Sampedro, aquelas que entendemos ter um significado mais profundo, aquelas que melhor retratavam o estado de espírito da personagem.

Feita a introdução deu-se início ao debate, convenientemente moderado pelas formandas, Laurentina e Deolinda. As questões foram colocadas e comentadas, gerando alguma discordância entre os participantes. Alguns deles demonstraram uma posição bem definida, a favor da eutanásia, outros, a maioria, acabavam por divergir dependendo da posição ocupada ou da pessoa que é atingida.

Entre outras, foram comentadas as frases “a vida assim não é digna para mim” e “ a vida é um direito, não uma obrigação”. Dada a necessidade do Homem satisfazer as suas necessidades mais básicas, o medo de ser um estorvo ou a revolta e vontade de dizer não ao novo estado, leva a pessoa a pedir o direito a morrer com dignidade.
Mas… a morte será digna?
E viver? É um direito, não uma obrigação?
E aquelas pessoas que não vivem com dignidade, vivem em sofrimento, não sendo, contudo, doentes terminais ou dependentes de terceiros e têm vontade de morrer?

Terá o Homem direito a decidir sobre a vida e a morte?











sexta-feira, 8 de maio de 2009

Visita a Miranda do Douro

No dia 21 de Fevereiro as turmas dos cursos EFA foram fazer uma visita de estudo, para realizar um trabalho para a aula de CP sobre Património Nacional e Cultural. O lugar escolhido foi Miranda do Douro, uma cidade da província de Trás-os-Montes, do distrito de Bragança. Está situada na parte mais a sul da província, sobre a margem direita do rio Douro, que a separa da província de Leão, Espanha, em terreno montanhoso e escarpado. Miranda foi uma cidade importantíssima no tempo dos romanos, que lhe deram o nome de Conticum, depois de Paramica, e por fim de Seponcia. Conquistada pelos Árabes em 716, estes deram-lhe o nome de Mir-Andul, que depois se mudou para o actual de Miranda.
Com as guerras entre os Lusitanos e os Árabes esta cidade foi tomada e destruída, de forma que no tempo do conde D. Henrique estava em completo estado de ruína e quase deserta. Foi nesta lastimosa situação que D. Afonso Henriques a encontrou, vendo-a com importância militar e estratégica, por ser fronteiro aos turbulentos Leoneses com quem teve furiosas lutas, tratou de a tornar uma praça de guerra, construindo um forte Castelo e uma pequena cerca de muralhas.
Passados longos anos quando o Rei D. Dinis subiu ao trono em 1279, a fortaleza de Miranda estava bastante deteriorada, quer pela sua má construção quer pelas contínuas guerras com os Leoneses, e o rei mandou reconstruir a povoação dando-lhe novo ser.
Com a finalização das guerras com os castelhanos e leoneses, a paz trouxe consigo o desenvolvimento da indústria, comércio e apicultura, nas povoações de uma e outra fronteira. Os Espanhóis tornaram-se nossos amigos e ajudaram muito no desenvolvimento de Miranda, que era o centro das suas transacções com Portugal.
O arcebispado de Braga, resolveu criar um bispado em Trás-os-Montes e o seu primeiro bispo foi D. Toribio Lopes honrou a vila com a categoria de cidade, sede de bispado, residência do bispo, cónegos e mais autoridades eclesiásticas, bem como dos militares e civis. Miranda passado alguns anos perde a sede do bispado, bem como a comarca, pois o julgado de Miranda pertenceu muitos anos à comarca de Mogadouro, e só em 1855 é que tornou a ser cabeça de comarca. A antiga correcção de Miranda compreendia duas cidades: Miranda e Bragança, seis vilas e três concelhos.

Na chegada à cidade de Miranda do Douro, fomos visitar o Museu, onde ficámos a conhecer as tradições populares e religiosas, como por exemplo, a festa dos rapazes e como se vestem e as máscaras de chocalheiro, a famosa dança dos pauliteiros e os seus trajes, o artesanato típico da gaita-de-foles, flautas, castanholas, equipamentos de ferreiro e sapateiro, rocas, cutelaria, tecelagem e o fiar linho ou lã, capas de honra e também a gastronomia única e uma variada gama de produtos regionais. Tomei conhecimento também da língua dos mirandeses, que tem uma linguagem característica. A Língua Mirandesa estava também presente no Museu, ao contrário do que muitos pensam, não é uma mistura do Português com o Castelhano, esta descende directamente do latim popular. A expressão que me ficou na memória, que foi dita pela guia do Museu foi “LA NÔSSA LHÊNGUA”, que quer dizer “a nossa língua”. No caminho percorrido em Miranda, no Centro histórico da Cidade existiam placas toponímicas em todas as ruas e monumentos escritas em Mirandês.
De seguida, fomos à igreja paroquial da cidade, e ao templo de N. Sra. da Assunção, ou de Santa Maria Maior, que fica situado na parte sul da cidade, em sítio alto onde se avista o rio Douro. É um templo de três naves, fundado por D. João III para servir de catedral que, durante quase dois séculos, gozou dessa honra. A arquitectura, ainda que trabalhosa, é majestosa na parte de dentro, e em cada lado do frontispício tem uma torre maciça de cantaria, assim como é todo o edifício. No interior, é de uma grande elegância e riqueza. É espantoso o labirinto das arcarias e os pilares que sustentam a abóbada, e os seus doze altares com admiráveis obras de talha, adornados de belos quadros a óleo em tela e em madeira. As cadeiras dos cónegos, apesar de já muito danificadas, são também de notável grandiosidade.
Depois fizemos uma breve pausa para o merendeiro e convivemos um com as colegas. De seguida fomos a uma feira que estava a decorrer. Aí encontrava-se o principal comércio do concelho: o gado vacum, que constitui a famosa raça mirandesa, cereais, vinho e cortiça. Também o curtimento de couros e tecidos de saragoças e buréis. É deste pano grosseiro que se fazem em Trás-os-Montes uns célebres capotes chamados “Honras”, capas de honras de Miranda que são feitos para pessoas ilustres que visitam a terra. É uma espécie de gabão, adornado de muitos recortes, tiras e bordados, e notavelmente extravagante e muito bonitos com o qual fiquei fascinada.
Também pudemos assistir à dança dos pauliteiros que me fascinou pela velocidade que eles batem os paus. (Usam o termo paliteiros e não pauliteiros, porque é o termo que se usava ainda nos finais do século XVIII. Paliteiro vem de palo. É termo mirandês e não pauliteiro que é termo português e vem de pau.) De seguida, fomos à barragem hidroeléctrica no Douro, onde alguns colegas foram dar o passeio fluvial nas arribas do Douro. Depois de termos visitado toda a parte histórica, vi uma cidade onde se encontram grandiosos edifícios públicos e particulares, o seu Museu, entre outros. Concluí ser, também ela, História de Portugal, que nos transmite o que foi, e ainda hoje é, uma vida rústica e a cultura dos povos da Terra de Miranda, desde os tempos pré-históricos aos nossos dias.
Na vinda para casa, passámos pelo parque natural que lá existe, onde vimos também alguns jericos (burros).
Foi um dia bem aproveitado. No regresso a casa, as turmas vieram todo caminho a cantar, onde se viu união entre elas. Foi um dia para jamais esquecer.